O fandom do Bolsonaro

O maior efeito colateral da cultura pop é o fã. Aquele cidadão que se apaixona por algo de tal maneira que chega a se despir de qualquer senso crítico ou estético.

Já houve um tempo em que o coletivo de fãs era conhecido como ‘uma péssima noite de sexta-feira’. Agora que eles são mais facilmente reunidos na internet, convencionou-se chamar de fandom.

Normalmente são jovens púberes, descobrindo as vicissitudes da vida por intermédio de cantores pop internacionais. Os Lovatics e os Beliebers ainda hoje são uma força motriz para o consumo de bugigangas e sobretudo de banda larga.

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Quando o fandom se manifesta
No Brasil, o fenômeno também acontece de maneira sui generis desde muito tempo. A Legião Urbana era uma banda que não chegou a conseguir ser tão desagradável quanto seus fãs, mesmo fato repetido por produtos da pós-distopia tropical como Los Hermanos e Inês Brasil.

Observa-se de maneira crescente a entrada de um novo gênero dentro da exploração emocional do culto a celebridade: o fã-clube de político. Se FHC e Lula são até hoje festejados e idolatrados por grupos bem difusos, um novo tipo de paixão está surgindo quando falamos em outros nomes.

Jair Bolsonaro é o principal ponto fora da curva. Seus fãs são engajados como se ele fosse a Ana Paula Renault do BBB 16. Quem lembra do grito de guerra “o dedo cai mas o Dourado não sai” da Máfia Dourada no BBB 10? Gentilmente apelidados de bolsominions, os entusiastas do deputado podem ainda não ser muitos, mas estão fazendo cada vez mais barulho.

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Millennials niilistas
Tive a oportunidade de presenciar a paranoia da “mitosfera” ao empreender uma enquete absolutamente pedestre no Twitter, depois de ver o discurso de despedida do Obama pela televisão.

O tweet caiu nas mãos dos amantes do militar da reserva, que levaram a sério o suficiente para publicar muitos impropérios e garantir que o “mito” ficaria em primeiro contra os esquerdalhas Lula e Obama.

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Toma essa, Obama! (nenhum sentido)
Com isso em vista, não parece ser por acaso que Bolsonaro encontra como arqui-inimigo um ex-BBB, o deputado Jean Wyllis, nesse pós-debate pré-ideológico que presenciamos com certa dose de Campari pela internet.

Se pensarmos em política, realmente vivemos tempos psicodélicos. Mas do ponto de vista da cultura pop, é apenas mais um dia na vida de jovens cheios de som e fúria. Era melhor quando eles ouviam Evanescence enquanto navegavam pelo Tumblr? Sem dúvida. Nossas crianças crescem tão rápido…

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13 comentários sobre “O fandom do Bolsonaro

  1. Na minha humilde, e quase insignificante, opinião a crescente popularidade de Bolsonaro tem muito a ver com crescente repulsa pelo “políticos padrão”, ou seja, aquele que estamos acostumados a ver nas campanhas eleitorais sorrindo e seguros em vídeos muito bem editados para nos passar confiança. Bolsonaro acabou com o “politicamente correto”, os políticos padrão usam esse artifício pra falar o que o povo quer ouvir preocupados em ganhar votos. Bolsonaro está subindo nas pré pesquisas, inclusive, com a ajuda de Lula/Dilma/PT, que fizeram o contrário do que sempre vinham pregando. Enquanto a turma do PT, cai, Bolsonaro, sobe, é só comparar. Se fizermos um gráfico comparando a queda do governo Dilma, veremos a subida de Bolsonaro. O povo não aguenta mais ouvir mentiras. Estamos naquela: “Melhor uma verdade que dói, do que a mentira que destroi.”. Na minha visão (ainda humilde), Bolsonaro ainda vai se beneficiar de um bom governo de João Doria, em SP. Doria tinha um discurso muito parecido com Bolsonaro, principalmente no quesito corrupção. Isso pode ser uma tendência pra 2018. Não creio que ele vença de cara, mas é provável para 2022.

  2. Chore. Mas chore muito. De dor. E de ódio também. O máximo que você poderá fazer, é se juntar ao Alexandre, e ao tal do Zé de Cleu e chupar a rola daquele travesti, que diga-se de passagem, é mais homem do que os dois juntos, e os seus respectivos pais também.

    Tu não vai aprovar o comentário, claro (e nem espero que o faça), mas só de já ter lido até aqui já valeu perder (ganhar) meu tempo, porque esquerdopatia é doença sim, amiguinho.

    A sanidade intelectual ri, e deixa um agrado, no cu sujo de Mijo Barscley.
    rsssssssss

  3. Um vídeo só pra vc ler esses dois últimos comentários, Chico, por favor nunca te pedi nada
    #fandomChicoBarney

  4. Chico Barney é o nosso grande filósofo Zuera da nossa internet. Um cruzamento de Paulinho Gogó, Didi Mocó e CalosZalberto, já tentou trabalhar nos programas Zorra Total,Turma Do Didi e Uma escolinha Do Barulho,mas não obteve sucesso,é bolsominion desde a saudosa época que Cavaleiro Dos Zodiacos passava na Manchete. Só não vê quem não quer.

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